TREINAMENTO DE LÍDERES DE CÉLULAS LIÇÃO 6 TLC

Lição 6

ATITUDES FUNCIONAIS PARA LÍDERES VENCEDORES

(Esta seção, até a página 65, é baseada e adaptada de material do Joel Comiskey, largamente divulgado).

BONS LÍDERES TÊM BOAS ESTRATÉGIAS

  • Muitos se sentem mais motivados a orar em vigílias. Programe vigílias eventuais para a sua célula. Façam caminhadas de oração ao redor do quarteirão. Convide a célula toda para as vigílias e vigilhões que acontecem na igreja.
  • Use o batismo de cada novo membro como pretexto para uma festa de testemunho para a família dele. Convide todos os parentes e amigos.
  • Procure criar um ambiente descontraído e alegre na sua célula. Grupos onde há descontração e alegria multiplicam mais facilmente do que grupos formais.
  • Faça um cartão-convite personalizado de sua célula. Dê uma quantidade para cada membro e peça-lhes que os distribuam entre seus próprios amigos.
  • Dê um nome para sua célula. Que seja um nome significativo, agradável, e do qual os membros vão se lembrar facilmente. Devem saber o significado e primar para que ele tenha tudo a ver com o crescimento e desempenho do grupo todo.
  • Programe para que toda a sua célula vá com uma mesma camiseta na celebração do domingo. Isto cria uma identidade na própria célula e um senso de grupo unido. Os próprios membros podem discutir a arte, os dizeres, a cor, etc.

 

ORAÇÃO E LIDERANÇA EFICAZES

  • Orar diariamente pelos membros da sua célula transforma o seu relacionamento com eles. Eles o reconhecerão e seguirão sua liderança espontaneamente.
  • Se você orar diariamente pelos membros da sua célula, você sentirá o seu próprio coração cheio de amor e paciência por eles.
  • Ore por todos os eventos da célula – seja a macrocélula, uma festa de aniversário, um evento de colheita, um jantar, um churrasco. Esteja pronto para testemunhar em qualquer circunstância!
  • Tempo gasto “afiando o machado” para decepar as árvores não é tempo perdido. Uma hora gasta em oração fará com que uma hora de trabalho renda mais que uma centena delas sem oração. Desenvolva uma disciplina de oração!
  • Todo líder de célula precisa ser cheio do Espírito Santo! Busque poder e ousadia! Todos querem estar perto de quem está perto de Deus!
  • Células eficazes fazem mais que orar. Elas suprem, de maneira prática, as necessidades dos irmãos. Elas garantem que ninguém continue com necessidades ou problemas resolvíveis não resolvidos no seu meio.
  • Faça um livro de oração na sua célula! Registre nele os pedidos e as respostas de oração. Ore com ele em toda reunião do grupo. Pode ser um cartaz, uma agenda, um caderno, enfim, um material fácil de utilizar. Para os mais modernos, pode ser até uma planilha no computador, tipo Excel.
  • Experimente fazer uma lista de alvos de oração da sua célula. Entregue uma cópia para cada membro, e ore em toda reunião por cada pedido da lista.
  • Crie um relógio de oração na sua célula. Distribua os discípulos da célula de forma que haja oração pelos alvos da célula diariamente. (pode ter mais de um intercessor por dia, ou um intercessor ter mais de um dia de oração).

 

NADA DE CENTRALIZAÇÃO

  • Delegue funções e responsabilidades para cada membro da célula, mesmo que seja algo bem simples. Isto produz compromisso e seriedade em todos.
  • Dê várias oportunidades às pessoas do seu grupo. Não rotule ou desista de alguém só porque falhou em o trazer lanche na última reunião. Ou porque se esqueceu de selecionar as músicas para o louvor, ou porque não compartilhou bem o estudo.
  • Acredite nas pessoas! Delegue responsabilidades para cada membro de sua célula! Quando nos sentimos úteis, nos comprometemos mais. As pessoas aprendem fazendo, por isso envolva todos os membros da célula nas atividades grupais.
  • O líder deve ser um facilitador: alguém que faz a célula acontecer com a participação de todos, não um chefe controlador que sufoca a célula e faz tudo sozinho.

 

O CUIDADO COM AS REUNIÕES

  • Prepare com cuidado e antecedência a reunião da célula. Lembre-se que pessoas vêm de longe para ouvir a palavra e precisam ser alimentadas. Se for somente para ouvir alguém lendo a folha de estudos, ele poderá pegá-la na reunião do TADEL ou baixá-la da internet e estudá-la sozinho.
  • Usar somente o CD no louvor da célula. Cantem junto com o CD. Isto pode melhorar significativamente o seu momento de louvor e adoração. Isto evita o surgimento de estrelas cantantes ou tocantes que não poderão estar presentes em todas as células do setor, da área, do distrito, da região ou da rede.
  • Você nunca poderá levar os outros a níveis que você mesmo não atingiu! Antes de ministrar ao grupo, ministre a Deus!
  • Tudo o que Deus faz, Ele o faz pela Palavra e pelo Espírito. Isto é tudo o que você precisa na célula: uma palavra viva e apaixonada e a unção fresca do Espírito.
  • Ao compartilhar na célula, sempre fale de coisas práticas que podem ser úteis no dia-a-dia. Fuja das doutrinas estéreis e de teologias mortas! Não precisa ficar discutindo quem será a besta do Apocalipse, quem foi a mulher de Caim, se Adão tinha umbigo, e coisas do gênero.
  • Permita que o fogo de Deus incendeie a sua vida! Deixe o seu coração queimar e as pessoas virão para lhe ver pegando fogo! Seja um incendiário na sua célula!
  • Quando as pessoas ouvem, elas podem estar ou não interessadas, mas quando elas falam, elas se interessam. Use e abuse do quebra-gelo! Não aceite ninguém calado na célula!
  • No período do louvor escolha cânticos conhecidos e fáceis. É mais fácil focalizar a atenção em Deus, quando não temos que lutar com letras e ritmos. Providencie folhas com a letra dos cânticos para ajudar aqueles que não sabem as letras de cor. No caso de haver visitante, isto se torna fundamental para que não se sintam excluídos.

 

O LÍDER DA CÉLULA – UM PASTOR DE VERDADE

  • Líderes de célula eficazes procuram conhecer cada pessoa que entra na célula. Ele dá atenção a todos, indistintamente, e não se limita só aos de seu relacionamento.
  • O bom líder de célula visita, aconselha e ora pelo rebanho doente. O líder que se vê como um pastor terá muitas ovelhas que se multiplicam.
  • Se você for fiel em cuidar bem das ovelhas que Deus lhe deu, Ele, com certeza, confiará muitas outras em suas mãos.
  • Priorize as ovelhas. Alimente-as e proteja-as, e a sua célula crescerá saudável e fecunda.
  • A sua função principal como líder de célula não é só dirigir uma reunião, mas motivar pessoas, edificar vidas e aperfeiçoar os santos. Relacionamento é tudo!
  • Reconheça os membros da sua célula, elogie-os e mostre-lhes o quanto são importantes para a igreja como um todo! Fazendo isso, você os estará motivando para o avanço da célula.
  • Você é o pastor do seu grupo. Como tal, apresente-os perfeitos diante de Deus, como alguém que vela suas vidas e os ama com o mesmo coração de Jesus.

 

ATITUDES DIANTE DO FRACASSO

  • Não tema o fracasso! Líderes bem sucedidos aprendem com as suas próprias falhas e se tornam, em consequência, muito mais fortes. Desafie sua célula a crescer. Para um homem de Deus o fracasso é momentâneo e a vitória é definitiva!
  • Para o líder bem sucedido, o fracasso é o começo – é o trampolim da esperança. Aprenda com seus próprios erros, e nunca desista. Se você não atingiu o alvo, tente novamente – e novamente, e novamente.
  • O sucesso somente pode ser obtido por meio de fracassos repetidos e avaliados. Ele é resultado de muitas tentativas fracassadas.
  • Admita fracassos diante do grupo. Não oculte os seus erros e desculpe-se sinceramente. As pessoas irão amá-lo por isso, e se sentirão livres para ser gente.
  • Um dos maiores temas da Bíblia é que o fracasso nunca é final. Em Deus, podemos nos levantar e tentar de novo. Se a sua célula não se multiplicou este ano, ainda dá tempo. Se não, tente no próximo ano novamente.

 

NADA DE INDEPENDÊNCIA – PRESTE CONTAS

  • Você tem preenchido regularmente o relatório da sua célula? E quanto às reuniões de discipulado: você é assíduo?
  • Um líder independente está fora da visão geral das células e do Reino de Deus.
  • Entregue seu envelope de ofertas e com os dados devidamente preenchidos para o seu supervisor ou líder responsável por recolhê-los. Observe os prazos, pois eles também têm prazo marcado para entregar na secretaria de células. (Mais sobre o preenchimento do envelope na próxima lição).
  • Ao planejar algo maior na sua célula, como um retiro, mudança de local da reunião ou a multiplicação propriamente dita, comunique com antecedência e decida junto com seus supervisores.

 

NUNCA DESISTA DE NINGUÉM

  • A maioria das pessoas se converte aos poucos – gradualmente. Não desista se alguém parece retroceder. Crie um ambiente de liberdade e aceitação, e a pessoa acabará se firmando.
  • Não permita membros ociosos na sua célula. Se há alguém assim, desafieo a mudar. Se resistir, exorte-o. Seja firme e não desista de fazer de cada discípulo um ministro.
  • Cada discípulo é um projeto em construção, não um modelo acabado. Por isso é normal termos irmãos que ficam desanimados entre nós. Conforte-os e seja sensível às suas dificuldades. Eles logo passarão de desanimados a animadores!
  • Tenha sempre uma palavra de ânimo. Não permita que eles percam a esperança. Creia com eles, transmita empatia, exale coragem revigorante.
  • Os irmãos mais fracos devem ser carregados pelos mais fortes. Os membros devem dar-lhes a mão, passo a passo, amá-los e conduzi-los até que se fortaleçam no Senhor.
  • Jesus disse que o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Caro líder, você é um pastor na sua célula. Ame os seus discípulos a ponto de se doar por eles, como fez Jesus.

 

INVISTA EM RELACIONAMENTOS

  • Enfatize um compartilhamento transparente na célula. O visitante pode ser tocado, se ele puder perceber que não somos perfeitos, mas apenas perdoados.
  • Uma pesquisa feita com crentes que estão fora da igreja mostrou que 70% deles saíram da igreja porque sentiam que ninguém se importava com eles. O amor é a chave para ganhar, consolidar e edificar!
  • Conhecer-se mutuamente e compartilhar as necessidades têm que ser alvos primordiais das células. Nessa atmosfera de aconchego e amor, os visitantes são impactados.
  • Estimule os membros a se convidarem mutuamente para almoços, jantares e lanches nas casas uns dos outros, sem excluir ninguém. Isto aumenta e estreita os vínculos entre o grupo.
  • Estabeleça um discipulador para cada novo convertido na sua célula, ou seja, um irmão – ou irmã – mais velho para cuidar dele e acompanhá-lo continuamente. Teremos aí uma microcélula MDA. Essa microcélula deve se falar frequentemente pelo telefone e encontrar-se durante a semana, ao menos uma vez.
  • Valorize o momento do lanche na sua célula. Ele pode ser a chave para consolidar o visitante. Estimule a célula a ficar em função do visitante nesse momento.
  • Oficialmente, a célula se reúne uma vez por semana. Mas a célula, em si, é um estilo de vida. Os vínculos devem acontecer a semana toda.
  • Não é interessante ter grupos grandes sem vidas transformadas! A qualidade deve preceder a quantidade. Boa quantidade sempre dá lugar à multiplicação.

 

ESTABELEÇA ALVOS

  • Se você está mirando em nada, certamente acertará em cheio!
  • Líderes que conhecem o seu alvo, multiplicam de uma forma regular e com maior frequência do que os que não conhecem.
  • Espere grandes coisas de Deus e empenhe-se em fazer grandes coisas para Deus.
  • Quatro princípios para estabelecer alvos:
  1. Estabeleça alvos específicos, direcionados para datas, pessoas e números a ser alcançados;
  1. Sonhe com esses alvos, de maneira que passem a fazer parte da sua vida, impregnem-se em você;
  1. Anuncie esses alvos à sua célula, de maneira que todos possam sonhar, planejar e trabalhar juntos em prol das mesmas realizações;
  1. Faça os preparativos para alcançar os alvos. Quem espera uma grande colheita, prepara os celeiros; quem aguarda o nascimento de um bebê, prepara o berço. 

(Até aqui a seção baseada e adaptada de material do Joel Comiskey).

 

RESOLUÇÃO DE CONFLITOS NA CÉLULA

É inevitável que surjam conflitos. Contudo, o líder deve saber como enfrentálos, exterminá-los da célula e ao mesmo tempo proteger as pessoas, mantê-las unidas, coesas, curadas das “doenças” que deram origem ao conflito.

Existe uma diferença entre um conflito sadio e um conflito destrutivo numa célula. É um conflito sadio discordar honestamente de alguma coisa que esteja sendo discutida no grupo. O conflito destrutivo é afronta, oposição aberta, desejo de anular pó que outros estão fazendo.

Quando o conflito é sadio, normalmente o alvo do conflitante é: 

Ser ouvido pelo grupo ou pela liderança;
Expressar um ponto de vista;
Expandir e clarear o entendimento do grupo;
Promover (cura) pessoal e para o grupo;
Receber respostas pessoais e ajuda;
Concluir em unidade, paz e consenso para encorajar o líder.
Um antagonista que traz uma dinâmica errada e doentia para a célula deve ser identificado e confrontado.

 

 

Como age um antagonista

  • Quer atenção e admiração para si e para suas ideias;
  • Provocando separação entre as pessoas, muitas vezes com a intenção de criar seu próprio “reinozinho”;
  • Provoca a desestabilização do grupo por motivos diversos que somente a cabeça dele mesmo poderá explicar, se ele quiser;
  • Tem interesse próprio, que se não for suprido vai fazê-lo continuar antagonizando;
  • Ele promove conflito em vez de paz;
  • Tenta controlar e manipular os outros, para transformá-los em seus aliados;
  • Sente necessidade de mudar os outros, atraí-los para suas ideias ou pretensões;
  • Quer sempre ganhar uma discussão, pelo simples prazer de ver os outros perderem ou serem humilhados, e muitas vezes o líder da célula é seu alvo principal – o antagonista quase sempre tem problema com a autoridade;
  • Estabelece facções no grupo e apresenta-se ele mesmo como o solucionador dos problemas, como sendo o lado certo da questão;
  • Tenta enfraquecer a liderança e a autoridade dos líderes que estão responsáveis. 

 

O que o líder de célula deve fazer a respeito de um antagonista? 

  • Antecipar-se ao antagonista: Se você reconhecer um antagonista antecipadamente, tente não deixar que ele se envolva com sua célula. Uma vez que isso aconteça, haverá muita chance de que você terá problemas.
  • Não se acomode com o antagonista: Uma vez que o antagonista se torne parte da célula, não se acomode com a presença dele. Mantenhase alerta e leve em conta eventuais ações dele que possam ser destrutivas e separatistas. 
  • Tome ações imediatas: Fale diretamente com ele na hora da afronta ou crítica, e diga: “Isto não é apropriado. O que você está dizendo é prejudicial a este grupo. Eu não permitirei que isso aconteça”. De preferência chame-o sozinho, à parte. Se ele persistir e fizer o antagonismo publicamente, na célula, depois de advertido, então chame-o à atenção diante de todos. 
  • Exerça uma liderança forte: Seja forte. Nunca permita que um antagonista ganhe a primeira rodada ou a habilidade de intimidar. Exerça a sua autoridade como líder da célula. 
  • Proteja o seu grupo: Se necessário, simplesmente peça a ele que não retorne ao grupo. O grupo é mais importante do que uma pessoa! Às vezes é uma pessoa que já tem sua própria igreja; outras vezes, é alguém que já teve várias igrejas e agora não tem nenhuma. Pode ser também alguém que está procurando ovelhas para formar seu próprio rebanho. 
  • Mostre a maneira apropriada para ele ser curado: Pode ser que ele precise primeiro de aconselhamento e ajuda espiritual, não de falar na célula. Ofereça o discipulado um a um para ele, mostrando-lhe que no discipulado alguém vai poder ouvi-lo mais atentamente e cuidar de suas dúvidas e questionamentos. 
  • Cuidado para não colocar alguém com pouca maturidade e embasamento bíblico para cuidar do antagonista, senão ele vai enrolá-lo para suas pretensões. Aí você correria o risco de ter dois antagonistas, ao invés de um.

 

COMO CONFRONTAR COM COMPAIXÃO

A maioria dos pastores são “sentimentalizados, o que significa que os sentimentos, a dignidade e a aprovação das pessoas tendem a pesar muito em seu processo de tomada de decisões.

Quando temos essa natureza “sentimentalizada”, nem sempre é fácil repreender alguém.  Alguns até preferem ser repreendidos a repreender. Por quê? Alguns ficam por um longo tempo se perguntando se por acaso aquele pessoa não está certa, temendo cometer o erro de julgar erroneamente, ou tentando enxergar mais de um lado na mesma história.

Outros temem a quebra de relacionamentos. Um bom pastor não gosta de ferir as pessoas. Contudo, deixá-las errar sem ser repreendidas não é amor, é tolerância; é “passar a mão por cima”, como se diz popularmente.

Alguns princípios muitos úteis para a repreensão

  • Garanta que a sua repreensão não vai ser mal interpretada;
  • Nunca repreenda alguém na hora da raiva; deixe as coisas esfriarem, espere seu estado de espírito estar bem calmo.
  • Não repreenda por escrito ou pelo telefone — somente face a face (e, se necessário, com uma testemunha).
  • Não destrua a dignidade da outra pessoa, mas ajude-a a crescer.
    Nós confrontamos para edificar, restaurar; não para humilhar, destruir.

 

  • Faça questão de conhecer a história inteira, não apenas parte dela. Ouça mais de uma lado, antes de chamar alguém aos “carreteis”.
  • Cheque o seu coração para saber quais são seus verdadeiros motivos e propósitos. Às vezes estamos advogando em causa própria.
  • Identifique claramente as implicações do comportamento da pessoa, e faça-a compreender isto.
  • Sempre dê à pessoa a oportunidade de reconhecer seus erros e ofereça-lhe a chance de um novo começo. 
  • Sempre corrija a pessoa em particular, nunca na frente dos outros.

 

RESTAURAÇÃO DE RELACIONAMENTOS QUEBRADOS DE ACORDO COM MATEUS 18

Um dos maiores problemas no meio da igreja são conflitos não resolvidos. Outro são problemas resolvidos de maneira errada. Pior ainda são as tentativas falhas de resolver atritos que, ao invés de resolver uma situação, terminam criando outras.

Temos aprendido nesse treinamento sobre a importância da comunhão na vida da Igreja. Essa comunhão é ameaçada quando surgem fofocas, disputas, desentendimentos, choques de personalidade e de interesses.

O que devemos fazer quando alguém peca contra nós, provocando tristeza no nosso coração? O que fazer quando há mal entendidos no meio do grupo?

  • Somos todos santos e filhos de Deus, mas não somos blindados. Estamos vulneráveis aos ataques do inimigo, razão por que não podemos nos desgrudar de Cristo nem dos nossos irmãos.
  • O fato de sermos “irmãos” (v. 15), não nos isenta da possibilidade de enfrentarmos divergências nos relacionamentos da família da fé, pois a irmandade não elimina a nossa individualidade.
  • Temos diferenças de criação, formação, visão, doutrina, teologia, liturgia, estratégia e outras que, sem desejarmos, colocam-nos na situação de ofendidos ou ofensores para com alguns de nossos irmãos. 
  • É lindo como Jesus ensina e demonstra que o ofendido é responsável pelo ofensor (v. 15), pois todo pecado é uma doença que precisa ser tratada de maneira ágil e positiva.
  • Cada situação relacional em que um irmão de forma definida peca contra nós indivíduos ou nós igreja é, na verdade, uma convocação feita por Deus para que, em amor, responsabilizemo-nos pelo tratamento do irmão.
  • Este é um dos maiores desafios da comunhão do Reino de Deus: o ofendido é o terapeuta separado por Deus para a cura do ofensor!
  • De acordo com Mateus 18.15-17, a restauração do relacionamento deve ser um processo constante e equilibrado, gradual, dando tempo e oportunidade para que o ofensor caia em si e se arrependa.
  • Uma vez estabelecido claramente qual foi o pecado, o primeiro passo a ser dado é o da confrontação pessoal (v. 15): Jesus ensina que é necessário “arguir” = “provar, argumentar, repreender, fundamentar, esclarecer, demonstrar” num contexto de descrição, procurando evitar a exposição pública do ofensor.
  • Se o resultado não for satisfatório o passo seguinte é o da confrontação representativa informal (v. 16): ainda num contexto de transparência e privacidade, devemos buscar o auxilio de testemunhas, ou seja, terapeutas auxiliares que nos ajudarão no esforço de cura do irmão ofensor.
  • Persistindo a resistência em admitir a culpa, a situação exige uma confrontação comunitária formal (v. 17a): O ofendido deve informar oficial e amorosamente a liderança maior da Igreja para que esta, de maneira ágil e sábia, assuma a responsabilidade terapêutica de tratamento do irmão em pecado.
  • Paulo, instruindo seu discípulo Timóteo, mostra como confrontar corretamente, segundo este princípio: “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo…” (II Timóteo 2.24-26).
  • O versículo 17 de Mateus 18 mostra que, infelizmente, nem todo processo de restauração produz o resultado almejado, pois Jesus lembra que é real a possibilidade do ofensor “recusar” a mudança.
  • Diante da recusa definitiva do ofensor, a Igreja como comunidade terapêutica autorizada por Deus deve considerá-lo como “gentio e publicano”, ou seja, deve aplicar a ele uma disciplina firme e forte.
  • Depois de haver feito tudo, devemos agir em fé, sem qualquer sentimento de culpa, na expectativa de que pela dor da disciplina haja o retorno à santidade perdida.
  • Mesmo disciplinando os insubmissos, devemos ter aquela fé e aquela expectativa ensinada pelo escritor de Hebreus:

“Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam,  e os respeitávamos… Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor

lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento 

não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, 

produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados,  fruto de justiça” (Hebreus 12.9-11).

  • Uma vez conseguida a restauração relacional, aperfeiçoa-se a unidade da comunidade (v. 18-20), e assim os vínculos de amor e confiança se restabelecem.
  • Não existe comunidade sem diversidade, nem diversidade sem divergência. A confrontação deve ser feita na certeza de que é possível construir uma convergência em Deus que proporciona unidade para ligar (v. 18) e unidade para acordar (v. 19).
  • A autoridade para “acordar” mencionada acima deve estar associada a uma espiritualidade que nos impulsiona a estabelecer parcerias de oração (“acordos”) sobre dificuldades relacionais específicas as quais cremos sinceramente que o Pai é capaz de sanar.
  • A prática correta da confrontação produz a unidade necessária para que a célula inteira experimente a presença de Jesus (v. 20). Quando construímos e vivenciamos este acordo terapêutico pela oração, Jesus assegura a Sua presença em nosso meio.
  • A experiência cristã evidencia que, muitas vezes, não temos nenhum controle sobre o que fazem conosco, mas temos o controle sobre como reagiremos ao que nos foi feito.

Precisamos buscar diligentemente a comunhão da célula e da Igreja, e só podemos fazê-lo percorrendo o caminho que vai da tristeza da ofensa para a experiência da plenitude da presença restauradora de Jesus.

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